Bianca Pinto Lima e Malena Oliveira
A Black Friday começa apenas no dia 27 de novembro, porém algumas construtoras resolveram antecipar as ofertas de imóveis. O Feirão Black Friday do Brasil, ação conjunta das empresas, segue até o dia 29. Já as promoções individuais, como a da PDG, VivaReal e MRV, terminam no final do mês.
Parte das empresas montou plantões online, com vendedores especializados e prontos para fechar quase toda a compra virtualmente. Os descontos prometidos nos “black feirões” chegam a 50%, mas a maioria das ofertas fica bem abaixo disso e é preciso atenção aos custos dos financiamentos.
Antes de aproveitar as ofertas, é necessário ter o financiamento pré-aprovado pelo banco, pois nem todas as construtoras fazem avaliações de crédito na hora da venda. Para as empresas, o momento é de unir forças. Pela primeira vez, grandes representantes do setor lançaram uma plataforma única de ofertas. Batizado de Feirão Black Friday do Brasil, o site reúne cem empreendimentos da Eztec, PDG, Tecnisa e Camargo Corrêa. Os descontos valem para diversas partes do País, mas se concentram na região do ABC e na capital paulista.
“Esperamos gerar R$ 350 milhões em oportunidades de negócios”, diz Victor Vieira, diretor de marketing do evento.
O maior desconto do feirão, que vai até o dia 29 de novembro, é de R$ 364 mil em um apartamento da Camargo Corrêa em Curitiba – o que representa um abatimento de 30%.
Apesar da ação conjunta, a PDG também lançou uma campanha individual, com descontos de até 40% até o final do mês de novembro.
Para driblar a escassez de crédito, a construtora financia os imóveis diretamente com os clientes, em até 120 meses. Mas isso vale apenas para as unidades comerciais.
No caso das residenciais, a empresa garante a devolução completa do valor pago caso o financiamento não seja aprovado pelo banco. Mas os especialistas alertam: não existe negócio imperdível que justifique a compra por emoção, é necessário um planejamento financeiro criterioso. Quanto maior a entrada, por exemplo, melhor para o bolso, já que o pagamento de juros será menor.
O consumidor também não deve comprometer mais de 30% da renda líquida mensal (já descontados os impostos) com todas as dívidas, incluindo a imobiliária. Para quem precisa de muito crédito, o especialista em finanças Rafael Seabra destaca o que chama de ilusão dos preços menores. “Como o financiamento imobiliário tem prazo muito longo e estamos com uma taxa de juros bem maior do que há três anos, o preço final às vezes não muda muito (nessa base de comparação).”
Além das dívidas, é preciso atenção ao movimento dos preços. Para o pesquisador Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os valores já voltaram ao patamar de 2012. “E acredito que ainda há um ajuste (para baixo) a ser feito, mas nada drástico.” Ele lembra que os juros altos são um incentivo para adiar a compra e deixar o dinheiro rendendo. Para o negócio valer a pena com uma Selic de 14,25% ao ano, os descontos devem ser superiores a 10%.
A campeã das ofertas é a imobiliária VivaReal. As promoções vão até o dia 30 e o abatimento pode chegar a até 50% do preço. “Tem imóveis que estão saindo por R$ 100 mil”, comenta o vice-presidente da empresa, Lucas Vargas.
Com foco maior em estandes físicos e descontos de R$ 15 mil, em média, a construtora MRV também engrossa o grupo dos “black feirões”. As promoções são oferecidas em estruturas montadas em shoppings, estacionamentos de supermercados e plantões de vendas, que atendem até o próximo dia 22 em algumas cidades.
A maratona de descontos, porém, vai até o próximo dia 30 no site da construtora. A maioria dos imóveis pode ser financiada pelo programa Minha Casa Minha Vida.
Faturamento. A mega liquidação, que imita o evento tradicional nos Estados Unidos, deve ter uma expansão de faturamento de 12%, segundo projeções da ClearSale, empresa especializada em detectar fraudes em transações eletrônicas.
É uma taxa de crescimento muito inferior à registrada nos últimos anos, especialmente em 2014, quando o avanço foi de aproximadamente 95%.
A expectativa é que o faturamento do comércio online atinja R$ 978 milhões em um único dia, em comparação a R$ 871 milhões na mesma data em 2014. Mesmo com o dólar em alta, a perspectiva é de crescimento.