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19/11/2015

Venda de material de construção deve cair 12% este ano

A expectativa anterior da Abramat era que as vendas de materiais encolheriam 9% em 2015, mas Cover já considerava que a redução poderia chegar a 10%.

Chiara Quintão

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) revisou para baixo, novamente, a estimativa de vendas em 2015. Nesta, que será a última revisão antes dos dados consolidados, a Abramat estima que o faturamento real das vendas de materiais vai cair entre 11% e 12% neste ano, para patamar semelhante ao de 2007. Segundo Walter Cover, presidente da associação, a redução resulta de perda de volume e de queda real de preços.

Cover considera mais provável que a retração seja de 11% e que, se isso ocorrer, a queda das vendas de materiais de acabamento ficará em 11,5% e a de base, em 10,5%.

As vendas da indústria para o varejo cairão de 6% a 7%, em 2015, impactadas pela piora dos níveis de renda, emprego e da concessão de crédito. Já as vendas para as construtoras devem cair 14%, como reflexo da redução das atividades das grandes do setor de construção e da desaceleração do mercado imobiliário.

A expectativa anterior da Abramat era que as vendas de materiais encolheriam 9% em 2015, mas Cover já considerava que a redução poderia chegar a 10%. No acumulado de janeiro a outubro, houve retração de 12,3%. A Abramat considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) de materiais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para 2016, a associação estima que as vendas de materiais terão queda de 4% a 5%. Na avaliação de Cover, o consumo será "baixo" pelo menos no primeiro semestre e haverá um pequeno aumento na segunda metade do ano. Ele espera melhora no financiamento imobiliário e na percepção da crise em 2016. Cover destaca também que é esperado o início das operações na faixa 1,5 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Cover estima que os preços de materiais tendem a voltar a acompanhar a inflação em 2016. Nos últimos 12 meses, os preços de materiais acumulam alta de 6%, ante a inflação de 9% a 9,5% no período. "Desde 2004, os preços de materiais tinham variação muito próxima à inflação, mas, neste ano, descolaram bastante", diz.

Em relação à condução da política econômica, o presidente da Abramat diz que o empresário "está cansado da conversa de ajuste", e o discurso tem de mudar. "Levy [Joaquim Levy, ministro da Fazenda] vai precisar falar mais de crescimento e desenvolvimento, que é o discurso do Meirelles [Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, cotado para o lugar de Levy]. Levy continua a falar de corte de gastos, mas o empresário está cansado da conversa de ajuste." 

 

FONTE: VALOR ECONôMICO